As obras de recapeamento do Anel Rodoviário de Belo Horizonte não resistiram à primeira temporada de chuva. Com as precipitações dos últimos dias, crateras começam a surgir na pista, principalmente no trecho entre o viaduto São Francisco e o acesso ao Shopping Del Rey, no bairro Caiçara.
Só a Prefeitura de BH, que assumiu o trecho de 22 km em junho do ano passado, investiu R$ 11,7 milhões em asfalto novo. Outra frente de trabalho é feita pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) desde o ano passado, conforme acordo firmado com a PBH.

Por dia, cerca de 120 mil veículos passam pela rodovia. Os motoristas estão na bronca. Dono de uma rede de supermercados em Santa Luzia, na Grande BH, o empresário Igor Guimarães, de 50 anos, percorre diariamente o Anel Rodoviário. Segundo ele, não bastassem os riscos recorrentes de acidentes por conta das imprudências de condutores e do traçado irregular, agora é preciso se preocupar com as condições do asfalto.
Guimarães cobra uma solução por parte do poder público. "É um absurdo. A prefeitura acabou de assumir o Anel. Tem feito propagandas frequentes de investimentos na rodovia e, na primeira temporada de chuva, a pista já está cheia de crateras, aumentando o risco de acidentes graves. Os reparos precisam ser feitos de forma urgente, além de uma manutenção constante".
Nesta sexta-feira (23), o trânsito é intenso na extensão dos trechos com buracos. Motoristas precisam ficar atentos para desviar das armadilhas. Equipes da BHTrans e da Subsecretaria Municipal de Zeladoria Urbana (Suzurb) foram acionadas.
No último boletim sobre o Anel Rodoviário disponibilizado pela PBH foi informado que, desde a municipalização, foram realizados serviços de manutenção de sistemas de drenagens, recolocação de tampas de Ponto de Visita (PV) e bocas de lobo, reparo em guarda corpo e manutenção em árvores.
Mais de seis meses da transferência do Anel
Em junho, quando a prefeitura passou a ser oficialmente responsável pela gestão do Anel Rodoviário, o prefeito Álvaro Damião afirmou que a mudança permitiria maior agilidade na execução de obras, sem a dependência do governo federal.
Procurada nesta sexta, a PBH informou que houve intervenções em 10,33 Km com os R$ 11,7 milhões investidos em obras de recapeamento. "É importante ressaltar que as ações da PBH se restringiram aos acessos e saídas do Anel, uma vez que o recapeamento da pista principal e das vias marginais foi executado pelo Dnit".
O órgão federal também foi procurado, mas não houve retorno. Em uma publicação feita no fim do ano passado, o Dnit informou que os trabalhos de recuperação da pista seriam finalizados no início deste ano. Imagens mostravam obras de recapeamento justamente no trecho próximo ao viaduto São Francisco, citado nesta sexta pelo Hoje em Dia.