Jair Renan entre a Câmara, a campanha e as faltas: até onde vai o compromisso com o mandato?
O caso do vereador Jair Renan Bolsonaro, de Balneário Camboriú, levanta uma discussão que vai muito além da disputa política: qual dve ser a prioridade de um parlamentar quando o mandato e uma campanha eleitoral acontecem ao mesmo tempo?
Jair Renan é candidato a deputado federal e, desde o início da campanha, em 16 de agosto, faltou a três sessões da Câmara Municipal. Uma dessas ausências mais recentes motivou um pedido para que a falta fosse abonada, mas o requerimento acabou rejeitado por 10 votos a 5, com uma abstenção. A ausência deverá resultar em novo desconto no salário.
O episódio não é isolado. Em julho, duas faltas sem justificativa formal provocaram desconto de R$ 4.554,71 no salário do vereador. Além disso, segundo informações divulgadas pela imprensa, Jair Renan participou de apenas três das 12 reuniões da Comissão de Segurança Pública realizadas entre janeiro e junho, segundo levantamento apresentado pelo presidente do colegiado.
Durante a discussão mais recente, o vereador Marcelo Achutti criticou Jair Renan por pedir o abono da falta enquanto está em campanha. Jair Renan respondeu afirmando que as ausências estão relacionadas a viagens a Brasília para visitar o pai e rebateu as críticas sobre o Fundo Eleitoral.

Mas existe uma questão maior por trás dessa disputa.
O eleitor está pagando para o vereador exercer um mandato ou para assistir a uma guerra política dentro do plenário?
Discordar faz parte da democracia. Cobrar, fiscalizar e confrontar adversários também. Mas o debate público perde qualidade quando a discussão política passa a ser marcada por ataques pessoais, ofensas e troca de acusações.
O ponto central deveria ser simples: mandato exige presença, responsabilidade e respeito ao debate democrático.
E fica a pergunta para a sociedade:
É esse o comportamento que queremos dos nossos representantes?
A política pode ser firme sem ser agressiva. Pode haver oposição sem ofensa. E pode existir campanha eleitoral sem transformar o mandato público em segundo plano.
No fim, a decisão também pertence ao eleitor: acompanhar presença, atuação, propostas e comportamento dos candidatos — e cobrar resultados de quem ocupa um cargo público.
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